Listael perdeu a conta de por quanto tempo dormiu depois que chegou a sua velha casa. Seu corpo estava esgotado de tudo que aconteceu.
A casa a muito está abandonada, desde a morte de seus pais, Listael se tornou um estranho dentro dela. Os móveis cobertos por lençóis brancos empoeirados, iluminados apenas por algumas poucas velas, com a água e luz cortadas. Um lugar desolado e sem vida. Devorada dia após dia pelos cupins, ferrugem e pelo lodo.
Listael acorda com o impulso de procurar a mulher do seu sonho. Existe uma aflição no jovem com relação a mulher e uma ansiedade crescente de encontrá-la, em seu íntimo ele acredita que essa mulher trará respostas para todos os acontecimentos recentes.
"-Ela é a chave". Ele ouve a voz dentro da sua mente dizer.
O jovem pega os ingredientes e vai para a velha sala empoeirada, retire o lençol de um espelho de corpo que descansa recostado na parede, se senta em uma cadeira no meio do enorme salão, acende velas em torno de si formando um circulo de luz.
Com o copo em mãos, ele bebe a mistura e volta a encarar seu reflexo, pensando na misteriosa mulher. Após algum tempo, o jovem percebe uma espécie de fumaça saindo de dentro do espelho, ele já não enxerga seu reflexo com clareza, em um dado momento o espelho começa a se mover levemente, como pequenas ondas de um lago, por onde a fumaça passa.
O jovem levanta e se aproxima do espelho, onde sua imagem deveria estar. Ele enfia sua mão no líquido e sente atravessar o espelho. Seu braço parece coberto por uma substância um pouco mais pesada que o ar, porém, mas mais leve que a água.
Depois disso ele cruza a janela do espelho. Para dentro do nevoeiro.
Já do outro lado, ele se encontra em um lugar estranho, silencioso, sem iluminação alguma, mas possível de se enxergar através. Um nevoeiro espesso, que se move apenas com os movimentos de seus braços e pernas, indo do nada a aparentemente lugar algum. Aos poucos, conforme ele caminha, a névoa se torna fina como um véu e através dela ele observa uma construção. Aos poucos o prédio de madeira vai apresentando suas formas e contornos e conforme sua visão se adapta ao mundo dentro do espelho ele percebe que, por mais uma vez, está em frente ao velho seleiro rústico que sonhara noites atrás.
Ele caminha para a grossa porta e a abre com um pouco de dificuldade. O ambiente está vazio, mas exatamente como ele viu em seus sonhos dias atrás. Talvez com um pouco menos de cor que em seus sonhos, mas exatamente como ele o deixou.
Imediatamente, Listael volta seus olhos para a porta que os anjos guardavam distante de seu alcance. De impulso curioso ele vai até ela.
Com cuidado e até um pouco de medo ele abre a porta e percebe uma pequena despensa, dentro dela, apenas uma foice com uma lâmina escura.
Isso? O que significa isso? O que os anjos guardavam afinal? Será que eles já removeram aquilo que estava ali? Pensava o jovem enquanto sua mão ia de encontro a foice. Quando ele finalmente a tocou ouviu uma voz dentro de si dizendo: - Ceifador! A voz parecia ecoar de algum ponto de dentro do nevoeiro em forma de um leve sussurro quase inaudível.
Ele a segurou por alguns momentos, serrando seus punhos em sua madeira fria, sentindo todo seu peso em mãos. Ela pesava como o julgamento de um carrasco ao cumprir seu ofício e isso o fez ter vontade de solta-la. Depois disso, ele a colocou novamente em seu lugar e fechou a porta, arrependendo-se de desobedecer aos anjos.
Em sua cabeça ele ouviu a voz dizer: - Chame-o.
Listael caminhou para o centro do salão e gritou: - Eu chamo o último inocente! - Sem saber o porque das palavras, elas apenas brotaram e saíram de sua boca sem passar por seu julgamento.
Sua voz ecoou no nevoeiro e este começou a criar uma espécie de redemoinho no centro do seleiro. A névoa foi tomando forma e a figura do menino de macacão até que finalmente ele apareceu e a névoa se tornou fina e imóvel novamente. Sete luzes cobriram o local e delas se formaram sete anjos com seis pares de asas cada um.
- Eu sou o ultimo inocente! Porque me chamas? Disse o menino.
- Eu sou o Oblata. Vim em busca da mulher que atravessará o lago comigo. - Disse Listael.
- Tu buscas pelo vencedor. Pois lhe darei o caminho porque é chegada a hora.
O menino então fez um gesto com as mão, chamando Listael para próximo. Ele deu alguns passos e se ajoelhou na frente da criança, que pôs sua mão diminuta na face do jovem e uma série de imagens percorreu sua mente. Seus olhos ardiam em chamas e tudo que ele podia ver eram as imagens que o menino, de alguma forma, colocava em sua memória. Entre elas, o local onde a mulher estava.
Empurrando a cabeça de Listael para longe o menino disse: -Agora vá, o umbral não é seguro para ti.
Um medo subiu a espinha de Listael e ele saiu do seleiro as pressas, sem entender o que viu em sua mente. Poucos passos depois, o jovem estava novamente perdido em meio a densa nevoa.
Perdido ele caminhou alguns passos e novamente viu a janela do espelho. Atravessando-a de volta a sua já não mais viva casa.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O ônibus
Listael entra em um ônibus no alto da madrugada,dentro do veículo apenas o motorista, o trocador e um bêbado dormindo com uma garrafa quase vazia nas mãos. Listael passa a roleta e senta no último banco, sua cabeça parecia pesada e para aliviar o peso ele a encostou no vidro e olha para fora.
Seus olhos vagam pelo vidro sem nada observar. Imagens dos últimos dias corriam sua mente aleatoriamente, como se ele procurasse alguma explicação para tudo aquilo. As palavras do padre se repetiam, até que sua mente se desligou.
Listael continuava sentado no ônibus, mas sabia que estava dormindo. Ele olhou para o trocador e viu finas linhas rodeando todo seu corpo, elas iam e vinham como ondas na areia. Por alguns instantes ele observou aquelas finas linhas e quando a luz batia sobre elas ele podia identificar que cada uma delas tinha uma cor.
As luzes do ônibus piscaram por um momento, e quando o jovem decidiu olhar para o bêbado, viu uma enorme figura transparente emitindo uma tênue luz azul flutuar sobre o corpo do homem, a criatura tinha a forma parecida de um homem, mas de suas costas saiam tentáculos enormes que ocupavam todo o espaço do coletivo. Ele viu que a criatura se moveu para as costas do homem e suas mãos entraram por sua carne como um ventríloquo em uma marionete, então o bêbado abriu os olhos e se levantou. Listael ficou apavorado e tentou acordar, precisava de sua faca, mas seu corpo não se mexia, até gritar ele tentou, mas sons não saiam de sua boca. O corpo do bêbado, controlado pelo espírito ventríloquo, foi até onde Listael estava sentado e esticou sua mão, colocando sobre o ombro do jovem, então ele acordou.
Seus olhos se abriram e ele pegou a faca no mesmo instante apontando para a barriga do bêbado, ele não via mais a criatura, mas sabia que ela estava ali, manipulando o homem.
- Não temas! Vim em paz! Disse o homem colocando a mão sobre a lâmina e empurrando delicadamente a faca para o lado.
- Chegou o momento de prepará-lo.
Listael foi surpreendido com as palavras do homem, mas permanecia em silêncio.
- Eu sou aquele que revela os segredos. Eu sou o Espírito Santo. Ouça e aprenda.
- Este mundo é um espelho do mundo da criação. Onde vedes o sol está a luz original de tudo. Onde vedes os mundos estão os mundos espirituais. O mundo que chamam de Terra é a parte da criação onde nascem as almas, e por isso, a maioria delas permanecem tão apegadas a esse planeta. A quantidade de Luz aqui é a mesma que a de escuridão, o que permite a todos os espíritos povoarem esse lugar. Os mundos que chamam de Mercúrio e Venus estão mais pertos da criação e somente "espíritos com asas" podem alcança-los. Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão são os mundos chamados de sombrios, por estarem mais distantes da iluminação. Quando nasce um espírito ele é do tamanho de uma semente da planta conhecida como mostarda e possui uma pequena luz dourada, essa luz é atraída no ato da concepção para dentro da mulher e lá se desenvolve pela primeira vez, como ser vivo, e durante a vida ele conhecerá a luz e as trevas e uma delas irá prevalecer em sua existência. Os que seguem o caminho da luz, quando mortos, permanecem no lado iluminado do "Além-Terra", já os espíritos sombrios do lado escuro. Em morte o espírito possui poder para influênciar os vivos, mas não a sabedoria para seguir sua evolução, por isso ele reencarna infinitas vezes se tornando cada vez mais um espírito de luz ou um sombrio. Os espíritos de luz, ganham suas asas e ascendem até o "Além-Sol" e lá se tornam parte do criador. Já os espíritos Sombrios se tornam cada vez mais negros e caem para os Além distantes da Iluminação, em um processo de demonização.
- Mas eu vejo espíritos negros vagando pela terra. Disse Listael.
- Os demônios podem ter acesso ao "Além-Terra", por um tempo, escondidos nas profundezas escuras do mundo. O que está acontecendo é que a maioria das almas está no caminho das sombras e o seu mundo está sendo tomado pelas trevas. E todas as almas que nascerem serão negras e o processo de iluminação será impossível.
- E qual o meu papel nisso tudo? Porque estou lutando? Em nome de que? Você deseja que eu salve o planeta?
- Você é e foi a ultima alma a receber o chamado.
O bêbado bebeu o resto da garrafa em uma golada e depois cuspiu de volta para dentro dela um líquido vermelho escuro, como o sangue.
- Bebeis isso em meu nome e serás salvo. Disse o homem entregando a garrafa para Listael.
O jovem segurou a garrafa nas mãos e o bêbado novamente se sentou em seu lugar e fechou os olhos.
O jovem olhou para o trocador e o motorista e ambos continuavam da mesma forma de quando ele entrou no veículo.
Listael, vendo sua parada, deu sinal e desceu do veículo.
Seus olhos vagam pelo vidro sem nada observar. Imagens dos últimos dias corriam sua mente aleatoriamente, como se ele procurasse alguma explicação para tudo aquilo. As palavras do padre se repetiam, até que sua mente se desligou.
Listael continuava sentado no ônibus, mas sabia que estava dormindo. Ele olhou para o trocador e viu finas linhas rodeando todo seu corpo, elas iam e vinham como ondas na areia. Por alguns instantes ele observou aquelas finas linhas e quando a luz batia sobre elas ele podia identificar que cada uma delas tinha uma cor.
As luzes do ônibus piscaram por um momento, e quando o jovem decidiu olhar para o bêbado, viu uma enorme figura transparente emitindo uma tênue luz azul flutuar sobre o corpo do homem, a criatura tinha a forma parecida de um homem, mas de suas costas saiam tentáculos enormes que ocupavam todo o espaço do coletivo. Ele viu que a criatura se moveu para as costas do homem e suas mãos entraram por sua carne como um ventríloquo em uma marionete, então o bêbado abriu os olhos e se levantou. Listael ficou apavorado e tentou acordar, precisava de sua faca, mas seu corpo não se mexia, até gritar ele tentou, mas sons não saiam de sua boca. O corpo do bêbado, controlado pelo espírito ventríloquo, foi até onde Listael estava sentado e esticou sua mão, colocando sobre o ombro do jovem, então ele acordou.
Seus olhos se abriram e ele pegou a faca no mesmo instante apontando para a barriga do bêbado, ele não via mais a criatura, mas sabia que ela estava ali, manipulando o homem.
- Não temas! Vim em paz! Disse o homem colocando a mão sobre a lâmina e empurrando delicadamente a faca para o lado.
- Chegou o momento de prepará-lo.
Listael foi surpreendido com as palavras do homem, mas permanecia em silêncio.
- Eu sou aquele que revela os segredos. Eu sou o Espírito Santo. Ouça e aprenda.
- Este mundo é um espelho do mundo da criação. Onde vedes o sol está a luz original de tudo. Onde vedes os mundos estão os mundos espirituais. O mundo que chamam de Terra é a parte da criação onde nascem as almas, e por isso, a maioria delas permanecem tão apegadas a esse planeta. A quantidade de Luz aqui é a mesma que a de escuridão, o que permite a todos os espíritos povoarem esse lugar. Os mundos que chamam de Mercúrio e Venus estão mais pertos da criação e somente "espíritos com asas" podem alcança-los. Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão são os mundos chamados de sombrios, por estarem mais distantes da iluminação. Quando nasce um espírito ele é do tamanho de uma semente da planta conhecida como mostarda e possui uma pequena luz dourada, essa luz é atraída no ato da concepção para dentro da mulher e lá se desenvolve pela primeira vez, como ser vivo, e durante a vida ele conhecerá a luz e as trevas e uma delas irá prevalecer em sua existência. Os que seguem o caminho da luz, quando mortos, permanecem no lado iluminado do "Além-Terra", já os espíritos sombrios do lado escuro. Em morte o espírito possui poder para influênciar os vivos, mas não a sabedoria para seguir sua evolução, por isso ele reencarna infinitas vezes se tornando cada vez mais um espírito de luz ou um sombrio. Os espíritos de luz, ganham suas asas e ascendem até o "Além-Sol" e lá se tornam parte do criador. Já os espíritos Sombrios se tornam cada vez mais negros e caem para os Além distantes da Iluminação, em um processo de demonização.
- Mas eu vejo espíritos negros vagando pela terra. Disse Listael.
- Os demônios podem ter acesso ao "Além-Terra", por um tempo, escondidos nas profundezas escuras do mundo. O que está acontecendo é que a maioria das almas está no caminho das sombras e o seu mundo está sendo tomado pelas trevas. E todas as almas que nascerem serão negras e o processo de iluminação será impossível.
- E qual o meu papel nisso tudo? Porque estou lutando? Em nome de que? Você deseja que eu salve o planeta?
- Você é e foi a ultima alma a receber o chamado.
O bêbado bebeu o resto da garrafa em uma golada e depois cuspiu de volta para dentro dela um líquido vermelho escuro, como o sangue.
- Bebeis isso em meu nome e serás salvo. Disse o homem entregando a garrafa para Listael.
O jovem segurou a garrafa nas mãos e o bêbado novamente se sentou em seu lugar e fechou os olhos.
O jovem olhou para o trocador e o motorista e ambos continuavam da mesma forma de quando ele entrou no veículo.
Listael, vendo sua parada, deu sinal e desceu do veículo.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A igreja gótica
No fim da mesma tarde Listael vai ao mercado e compra os ingredientes que "o velho" mandou. Na volta para casa ele passa em frente a uma antiga igreja católica, daquelas em estilo gótico cheias de lanças miradas para o céu e gárgulas nas pontas das janelas. Por um instante ele se lembra de como era antes de tudo começar, ainda na infância, quando se sentava nos bancos de madeira reforçadas no colo de seus pais e assistia o culto até dormir, como isso lhe deixava seguro e tranquilo.
Esse momento, de caminhos incertos e obscuros, o faz cruzar os enormes arcos da velha igreja e sentar em um de seus bancos. Não exatamente por fé, mas por saudade.
Suas mãos deslizam nas imperfeições da madeira encontrando cada risco e buraco nela. Ele começa a relaxar e respirar tranquilo pela primeira vez desde que tudo começou.
Ele se lembra exatamente de como sua vida era simples antes dos sonhos, das premonições e de tudo que aprendeu enquanto dormia, sendo preparado para o momento atual.
Derrepente as portas da igreja se fecham, quando ele olha para trás vê o padre vindo em sua direção com um sorriso amável.
- Procura alguém meu jovem?
Por um instante ele pensa na mulher de seu sonho, mas sabia que o padre se referia a Deus.
- Ele não está aqui meu filho. Disse o padre da forma mais serena e tranquila do mundo.
Listael lançou uma cara de perplexo para a cena mais bizarra que já viu, mais estranho que seus sonhos ou homem entrando no espelho.
- Sabe... o padre continuou ... muitas pessoas dizem que Deus nos abandonou nas mãos do diabo, mas a verdade é que Ele nunca pretendeu deixar este mundo, o que realmente aconteceu foi que o mundo virou as costas para Ele, todos preferem o outro caminho, mesmo quando dizem que não. O que é totalmente compreensível não é mesmo?! Afinal de contas quem gostaria de dizer "eu sou mal"?
- Somos todos boas pessoas não é verdade, apenas não nos sacrificamos "de mais", quero dizer, não nos esforçamos muito, afinal se contas se paramos nossas vidas para seguir os "ensinamentos" seremos engolidos pelos outros que apenas vivem, por isso agimos assim, não é mesmo. Não temos escolha. O padre balança a cabeça e parece refletir por um instante.
Listael continua imóvel ouvindo o padre, enquanto isso sua mão caminha lentamente para a faca em sua cintura.
- A luz dEle já não atinge mais o solo desse planeta e ninguém mais consegue vê-la, ou senti-la de verdade e mesmo que chegasse, não existe mais ninguém capaz de compreende-la, isso porque nos acostumamos com as trevas. Que culpa temos se ela é mais adaptada a nós, somos incapazes de enxergar um palmo além de nossos umbigos e a luz nos faz ver o que não suportamos, a verdade de que não passamos de seres mesquinhos.
- E quer saber a pior parte? Todos sabem disso. Simplesmente fingem não saber. Fingem não ter consciência que são o flagelo desse mundo, das pessoas, animais e todos os outros seres que vivem. O mal em sua essência, por mais que lutem para negar isso.
De uma arma para um mendigo em um semáforo que ele cometerá um assalto. De oportunidade para uma dona de casa e ela trairá seu marido. Torne um homem um político que ele roubará dinheiro público. De meninos para um padre e ele fará um banquete - nesse momento o padre faz uma pausa sarcástica e continua - de poder a uma igreja que ela perseguirá e matará as outras igrejas. E sabe por quê? Porque podem. As leis de Deus já caíram por terra a séculos antes de você nascer, e por isso o mundo está se transformando. A luz está deixando o lugar e as trevas estão tomando seu espaço.
- E eu posso sentir uma fagulha dessa luz em você.
Nesse momento todas as janelas da igreja se fecham uma a uma até todo o ambiente ficar iluminado apenas por umas poucas velas no altar.
Listael puxa a faca e aponta ao padre.
- A quanto tempo não vejo uma dessas. O padre diz olhando a faca.
- Então você é aquele que chamam de "Oblata", não é mesmo?
Listael lança um olhar curioso e o padre responde:
- Achou que sua fama ainda não tinha se espalhado na escuridão? Você tentou matar um de nós não é mesmo?
- Sabe o que acontece quando se atinge o centro de Deus "Oblata"?
- O mal é purificado. Listael responde como em uma prece baixa.
- Somos queimados de acordo com nossos pecados, o que pode levar séculos ou toda existência, não sobrando nada no final. Você nã iria querer fazer isso, não é mesmo? Diz o padre com um ar de irritação.
Sombras se movem em toda igreja como se milhares estivessem observando aos dois diretamente do outro mundo.
O coração de Listael acelera e ele investe contra o padre, a faca corta a mão direita do padre quando ele a usa para se defender, empurrando a "Tumi" para longe, e com a mesma mão, sangrando, segura o pescoço do jovem e o ergue do solo, sufocando-o.
- Você ainda não entendeu não é mesmo "Oblata", nós merecemos estar aqui. Somos a última salvação para esse povo. O que restou de divino no mundo. Você é que está no lugar errado, sua centelha de luz deve se apagar em breve. Disse o padre apertando a garganta de Listael mais ainda.
O jovem se debate enquanto olha para a faca ao longe, jogada no chão. Der repente Listael se lembra do que o padre acabou de dizer, põe sua mão direita sobre o rosto do infiel, e mentalmente o abençoa, sua mão queima o rosto do padre e dois de seus dedos perfuram os olhos dele. O infiel larga o jovem no chão e põe as duas mãos no rosto, como por reflexos. Listael puxa o ar com força reabrindo sua garganta e corre até a "Tumi". Enquanto isso o padre se levanta completamente cego, com uma expressão de medo.
- Você está errado "Oblata"! Você esta agindo contra a criação! Esse é o nosso momento e não o seu!
Listael volta próximo ao padre com a faca enfiando-a em seu pescoço com a lâmina voltada para a cabeça e depois girando-a antes de retirá-la. O padre cai ao solo em seguida e o sangue escorre pelo salão. As sombras que dançam no salão agora gritam e lamentam a morte do padre.
Listael tomado por um sentimento de ira vira seus olhos para o altar e as velas que queimavam pacificamente explodem em uma enorme bola de fogo, que se espalha por todo o salão rapidamente. As sombras parecem queimar com as chamas e gritar desesperadas. Listael assiste a tudo como se não estivesse ali dentro, aos poucos sua ira se transforma em tristeza e o jovem, vendo o corpo do padre ser devorado pelas chamas, sai pela porta da frente da igreja.
Do lado de fora algumas pessoas observam apavoradas as labaredas e gritam e se movem desesperadas, assim como as sombras fazem no interior. Listael por um momento observa a cena como quem acaba de descobrir algo que preferia não saber.
Dois homens o pegam pelos braços e o afastam da igreja, sentando-o em uma calçada distante, pequenas explosões acontecem e quando o jovem ouve as sirenes dos bombeiros se aproximando, deixa o local.
Esse momento, de caminhos incertos e obscuros, o faz cruzar os enormes arcos da velha igreja e sentar em um de seus bancos. Não exatamente por fé, mas por saudade.
Suas mãos deslizam nas imperfeições da madeira encontrando cada risco e buraco nela. Ele começa a relaxar e respirar tranquilo pela primeira vez desde que tudo começou.
Ele se lembra exatamente de como sua vida era simples antes dos sonhos, das premonições e de tudo que aprendeu enquanto dormia, sendo preparado para o momento atual.
Derrepente as portas da igreja se fecham, quando ele olha para trás vê o padre vindo em sua direção com um sorriso amável.
- Procura alguém meu jovem?
Por um instante ele pensa na mulher de seu sonho, mas sabia que o padre se referia a Deus.
- Ele não está aqui meu filho. Disse o padre da forma mais serena e tranquila do mundo.
Listael lançou uma cara de perplexo para a cena mais bizarra que já viu, mais estranho que seus sonhos ou homem entrando no espelho.
- Sabe... o padre continuou ... muitas pessoas dizem que Deus nos abandonou nas mãos do diabo, mas a verdade é que Ele nunca pretendeu deixar este mundo, o que realmente aconteceu foi que o mundo virou as costas para Ele, todos preferem o outro caminho, mesmo quando dizem que não. O que é totalmente compreensível não é mesmo?! Afinal de contas quem gostaria de dizer "eu sou mal"?
- Somos todos boas pessoas não é verdade, apenas não nos sacrificamos "de mais", quero dizer, não nos esforçamos muito, afinal se contas se paramos nossas vidas para seguir os "ensinamentos" seremos engolidos pelos outros que apenas vivem, por isso agimos assim, não é mesmo. Não temos escolha. O padre balança a cabeça e parece refletir por um instante.
Listael continua imóvel ouvindo o padre, enquanto isso sua mão caminha lentamente para a faca em sua cintura.
- A luz dEle já não atinge mais o solo desse planeta e ninguém mais consegue vê-la, ou senti-la de verdade e mesmo que chegasse, não existe mais ninguém capaz de compreende-la, isso porque nos acostumamos com as trevas. Que culpa temos se ela é mais adaptada a nós, somos incapazes de enxergar um palmo além de nossos umbigos e a luz nos faz ver o que não suportamos, a verdade de que não passamos de seres mesquinhos.
- E quer saber a pior parte? Todos sabem disso. Simplesmente fingem não saber. Fingem não ter consciência que são o flagelo desse mundo, das pessoas, animais e todos os outros seres que vivem. O mal em sua essência, por mais que lutem para negar isso.
De uma arma para um mendigo em um semáforo que ele cometerá um assalto. De oportunidade para uma dona de casa e ela trairá seu marido. Torne um homem um político que ele roubará dinheiro público. De meninos para um padre e ele fará um banquete - nesse momento o padre faz uma pausa sarcástica e continua - de poder a uma igreja que ela perseguirá e matará as outras igrejas. E sabe por quê? Porque podem. As leis de Deus já caíram por terra a séculos antes de você nascer, e por isso o mundo está se transformando. A luz está deixando o lugar e as trevas estão tomando seu espaço.
- E eu posso sentir uma fagulha dessa luz em você.
Nesse momento todas as janelas da igreja se fecham uma a uma até todo o ambiente ficar iluminado apenas por umas poucas velas no altar.
Listael puxa a faca e aponta ao padre.
- A quanto tempo não vejo uma dessas. O padre diz olhando a faca.
- Então você é aquele que chamam de "Oblata", não é mesmo?
Listael lança um olhar curioso e o padre responde:
- Achou que sua fama ainda não tinha se espalhado na escuridão? Você tentou matar um de nós não é mesmo?
- Sabe o que acontece quando se atinge o centro de Deus "Oblata"?
- O mal é purificado. Listael responde como em uma prece baixa.
- Somos queimados de acordo com nossos pecados, o que pode levar séculos ou toda existência, não sobrando nada no final. Você nã iria querer fazer isso, não é mesmo? Diz o padre com um ar de irritação.
Sombras se movem em toda igreja como se milhares estivessem observando aos dois diretamente do outro mundo.
O coração de Listael acelera e ele investe contra o padre, a faca corta a mão direita do padre quando ele a usa para se defender, empurrando a "Tumi" para longe, e com a mesma mão, sangrando, segura o pescoço do jovem e o ergue do solo, sufocando-o.
- Você ainda não entendeu não é mesmo "Oblata", nós merecemos estar aqui. Somos a última salvação para esse povo. O que restou de divino no mundo. Você é que está no lugar errado, sua centelha de luz deve se apagar em breve. Disse o padre apertando a garganta de Listael mais ainda.
O jovem se debate enquanto olha para a faca ao longe, jogada no chão. Der repente Listael se lembra do que o padre acabou de dizer, põe sua mão direita sobre o rosto do infiel, e mentalmente o abençoa, sua mão queima o rosto do padre e dois de seus dedos perfuram os olhos dele. O infiel larga o jovem no chão e põe as duas mãos no rosto, como por reflexos. Listael puxa o ar com força reabrindo sua garganta e corre até a "Tumi". Enquanto isso o padre se levanta completamente cego, com uma expressão de medo.
- Você está errado "Oblata"! Você esta agindo contra a criação! Esse é o nosso momento e não o seu!
Listael volta próximo ao padre com a faca enfiando-a em seu pescoço com a lâmina voltada para a cabeça e depois girando-a antes de retirá-la. O padre cai ao solo em seguida e o sangue escorre pelo salão. As sombras que dançam no salão agora gritam e lamentam a morte do padre.
Listael tomado por um sentimento de ira vira seus olhos para o altar e as velas que queimavam pacificamente explodem em uma enorme bola de fogo, que se espalha por todo o salão rapidamente. As sombras parecem queimar com as chamas e gritar desesperadas. Listael assiste a tudo como se não estivesse ali dentro, aos poucos sua ira se transforma em tristeza e o jovem, vendo o corpo do padre ser devorado pelas chamas, sai pela porta da frente da igreja.
Do lado de fora algumas pessoas observam apavoradas as labaredas e gritam e se movem desesperadas, assim como as sombras fazem no interior. Listael por um momento observa a cena como quem acaba de descobrir algo que preferia não saber.
Dois homens o pegam pelos braços e o afastam da igreja, sentando-o em uma calçada distante, pequenas explosões acontecem e quando o jovem ouve as sirenes dos bombeiros se aproximando, deixa o local.
terça-feira, 6 de abril de 2010
A casa azul
Listael acorda encharcado de suor, ergue seu corpo sentando rapidamente na cama puxando o ar que lhe faltava no sonho.
Pesadelos, já houve um tempo em que a maior preocupação dele era acordar antes de ser pego pelo monstro, hoje ele sabe que seus pesadelos vão muito além disso, que sua vida se divide em dois mundos distintos que muitas vezes se cruzam.
Ele permanece sentado por alguns instantes, pensando em seu sonho, no homem que atravessou o espelho e na mulher. Com o celular na mão ele esperava uma ligação, mas isso não aconteceu.
***
A imagem distorcida da mulher permanece na cabeça de Listael como se ele tivesse que encontrá-la, pelo menos foi isso que ele entendeu com o sonho. O que o levou mais uma vez para a parte pobre da cidade, ruas estreitas, lotadas de pessoas, animais e lixo. O ônibus em que está, cruza as ruas em solavancos, jogando as pessoas do seu interior umas sobre as outras, mas quem se importa? Estar em um ônibus é como se desligar da vida, entre o momento em que se entra ao que se sai, se tornando apenas mais um pedaço de carne apático balançando a mercê das curvas.
O dia permanece completamente nublado, como se a luz do sol fosse impedida de tocar o solo por uma cortina de fumaça escura. Na paisagem um grande cemitério cruza o ônibus, alguns fazem o sinal de cruz enquanto outros não demonstram a menor reação. Para Listael cemitérios são como depósitos, como as gavetas que se guardamos tudo aquilo que pretendemos nos esquecer e que não importa para nossas vidas, mas que não nos sentiríamos a vontade de jogar fora.
Ele desce em uma esquina e começa a subir uma escadaria estreita cortada em duas por um corrimão central. Mais a frente dois garotos armados o barram, nesse momento ele tenta manter a calma e diz: - Estou indo para a casa azul falar com o velho.
Os garotos o observam por alguns segundos, em seguida o deixam passar. Listael sobe até o topo do morro, em uma enorme pedra está a casa azul isolada de tudo. De lá é possível ver toda a favela, o cemitério e os prédios decrépitos do centro da cidade mais ao longe. Listael chega na casa e uma fila se forma dentro dela. Várias pessoas vão até lá todos os dias pedir conselhos e rezas para o "velho" que dizem ser um médium poderoso. Muita gente de "classe" costuma procurar seus serviços e alguns poucos tentam corrompe-lo oferecendo grandes quantias de dinheiro por "trabalhos", mas que ele nunca aceita e sempre afugenta esses tipos.
O jovem fica horas sentado aguardado e quando chega sua vez o "velho" se levanta do banco da varanda onde estava atendendo e o convida para entrar em sua casa. Listael entra em uma pequena sala com várias estátuas de figuras religiosas, algumas familiares outras não. O ambiente é iluminado por uma única luz no centro sobre um tapete com desenhos estranhos e símbolos. O velho pega duas cadeiras e as coloca sobre o tapete, ambos se sentam e dão as mãos.
- Como é bom vê-lo. Do que meu filho precisa? Disse o velho como quem vê um amigo de tempos atrás.
- Preciso achar uma garota, acredito que ela corre perigo. Mas eu não sei nada sobre ela, eu a encontrei em um sonho e acredito que ambos corremos perigo.
- Filho quando você encontra alguém em um sonho e essas pessoas não diz seu nome é porque alguma coisa não saiu como devia.
Nesse momento o jovem começou a ouvir sons vindo do outro lado da porta, como se cães enormes cheirassem e batessem suas patas contra a porta, mas o velho segurou sua mão firme para que ele não se distraísse. A luz começou a piscar na mesma hora e uma série de sombras preencheram o lugar, que foi tomado por um frio súbito e se podia ouvir sussurros incompreensíveis nas esquinas da sala.
- Meu filho você precisa encontrá-la do lado de lá primeiro, pegue 10 sementes de melancia soque com hortelã e cravo, sente-se em uma cadeira e acenda velas e concentre-se no espelho e na mulher que viu. O velho falava rápido, deu para notar uma certa pressa no seu modo de falar.
Em seguida o velho se levantou e olhou fixamente para a luz pendurada na sala, esta brilhou a ponto de ofuscar a visão do jovem e depois explodiu em uma imensa bola de fogo, levando consigo todas as sombras que estavam por lá e silenciando o local.
O homem se sentou na cadeira cansado e com uma expressão bem diferente, como se o "velho" tivesse deixado o local.
- Não posso ajudar em mais nada. Disse o homem com uma voz completamente diferente.
Listael se levanta e sai da casa sem dizer nada. Sua mente tentava entender tudo aquilo que acabou de ver.
Pesadelos, já houve um tempo em que a maior preocupação dele era acordar antes de ser pego pelo monstro, hoje ele sabe que seus pesadelos vão muito além disso, que sua vida se divide em dois mundos distintos que muitas vezes se cruzam.
Ele permanece sentado por alguns instantes, pensando em seu sonho, no homem que atravessou o espelho e na mulher. Com o celular na mão ele esperava uma ligação, mas isso não aconteceu.
***
A imagem distorcida da mulher permanece na cabeça de Listael como se ele tivesse que encontrá-la, pelo menos foi isso que ele entendeu com o sonho. O que o levou mais uma vez para a parte pobre da cidade, ruas estreitas, lotadas de pessoas, animais e lixo. O ônibus em que está, cruza as ruas em solavancos, jogando as pessoas do seu interior umas sobre as outras, mas quem se importa? Estar em um ônibus é como se desligar da vida, entre o momento em que se entra ao que se sai, se tornando apenas mais um pedaço de carne apático balançando a mercê das curvas.
O dia permanece completamente nublado, como se a luz do sol fosse impedida de tocar o solo por uma cortina de fumaça escura. Na paisagem um grande cemitério cruza o ônibus, alguns fazem o sinal de cruz enquanto outros não demonstram a menor reação. Para Listael cemitérios são como depósitos, como as gavetas que se guardamos tudo aquilo que pretendemos nos esquecer e que não importa para nossas vidas, mas que não nos sentiríamos a vontade de jogar fora.
Ele desce em uma esquina e começa a subir uma escadaria estreita cortada em duas por um corrimão central. Mais a frente dois garotos armados o barram, nesse momento ele tenta manter a calma e diz: - Estou indo para a casa azul falar com o velho.
Os garotos o observam por alguns segundos, em seguida o deixam passar. Listael sobe até o topo do morro, em uma enorme pedra está a casa azul isolada de tudo. De lá é possível ver toda a favela, o cemitério e os prédios decrépitos do centro da cidade mais ao longe. Listael chega na casa e uma fila se forma dentro dela. Várias pessoas vão até lá todos os dias pedir conselhos e rezas para o "velho" que dizem ser um médium poderoso. Muita gente de "classe" costuma procurar seus serviços e alguns poucos tentam corrompe-lo oferecendo grandes quantias de dinheiro por "trabalhos", mas que ele nunca aceita e sempre afugenta esses tipos.
O jovem fica horas sentado aguardado e quando chega sua vez o "velho" se levanta do banco da varanda onde estava atendendo e o convida para entrar em sua casa. Listael entra em uma pequena sala com várias estátuas de figuras religiosas, algumas familiares outras não. O ambiente é iluminado por uma única luz no centro sobre um tapete com desenhos estranhos e símbolos. O velho pega duas cadeiras e as coloca sobre o tapete, ambos se sentam e dão as mãos.
- Como é bom vê-lo. Do que meu filho precisa? Disse o velho como quem vê um amigo de tempos atrás.
- Preciso achar uma garota, acredito que ela corre perigo. Mas eu não sei nada sobre ela, eu a encontrei em um sonho e acredito que ambos corremos perigo.
- Filho quando você encontra alguém em um sonho e essas pessoas não diz seu nome é porque alguma coisa não saiu como devia.
Nesse momento o jovem começou a ouvir sons vindo do outro lado da porta, como se cães enormes cheirassem e batessem suas patas contra a porta, mas o velho segurou sua mão firme para que ele não se distraísse. A luz começou a piscar na mesma hora e uma série de sombras preencheram o lugar, que foi tomado por um frio súbito e se podia ouvir sussurros incompreensíveis nas esquinas da sala.
- Meu filho você precisa encontrá-la do lado de lá primeiro, pegue 10 sementes de melancia soque com hortelã e cravo, sente-se em uma cadeira e acenda velas e concentre-se no espelho e na mulher que viu. O velho falava rápido, deu para notar uma certa pressa no seu modo de falar.
Em seguida o velho se levantou e olhou fixamente para a luz pendurada na sala, esta brilhou a ponto de ofuscar a visão do jovem e depois explodiu em uma imensa bola de fogo, levando consigo todas as sombras que estavam por lá e silenciando o local.
O homem se sentou na cadeira cansado e com uma expressão bem diferente, como se o "velho" tivesse deixado o local.
- Não posso ajudar em mais nada. Disse o homem com uma voz completamente diferente.
Listael se levanta e sai da casa sem dizer nada. Sua mente tentava entender tudo aquilo que acabou de ver.
O alagado
Listael desce de um carro deformado que mais parece uma pilha de ferro amarelo, assim que sai, este se torna um borrão sem forma como toda a paisagem atrás dele. Outras pessoas saem do veículo, talvez projeções de vivos ou espíritos errantes. A frente um menino totalmente vestido de laranja os aguarda, sua roupa parece ser um macacão infantil sem muitos detalhes. Atrás dele um selerio rústico de madeira, onde todos entram. Muitas cadeiras dentro do local, Listael se senta e rapidamente uma senhora senta ao seu lado. Enquanto ela lança um sorriso, ele tenta observá-la, mas ela não passa de outro borrão deformado, apensa sua boca se mantém em foco o tempo todo.
- Aquele não era comum. Ele era um acolito sombrio, você conhece um acolito sombrio? já viu um? Já viu alguém vivo viajar pelo espelho? Já tinha mandado algum deles para o lado de cá? Ela perguntava com uma mistura de curiosidade e alegria.
Nesse momento o garoto chama a atenção de todos na sala e começa a falar a linguagem celestial. Listael conhecia essa lingua porque sabia que não conseguiria guardar nem sequer uma palavra que ele diz em sua mente, apesar de fazer todo o sentido enquanto ele fala.
Por fim todos se levantam, dois homens borrados ficam em frente a uma pequena porta e uma enorme fila se forma do lado de fora. Todos passam pela porta para olhar algo e quando chega a vez do jovem os dois homens cruzaram duas lanças de luz dourada na sua frente e suas asas se abrem criando uma forte luz que o cegava.
- Você não pode passar daqui, já recebeu sua mensagem, agora vá! Disseram suavemente os anjos como que em uma canção.
Listael se vira e percebe que o salão está vazio. Do lado de fora o garotinho o chamava para junto dos outros. Todos caminham até um lugar descampado onde estão cães do tamanho de touros. Havia mais cabeças que corpos de cães, eles andam em círculos, cheirando e rosnado, como quem ronda um prato suculento antes de começar a comer.
Todos caminham até um local alagado com plantas finas e sem folhas saindo da água, um grande lago cobre o meio do alagado, tudo ali é escuro e sombrio. O garotinho atravessa para o outro lado. Um dos borrões vai também, imediatamente os cães entram nas águas atacando o vulto por baixo,devorando-o na agitação das águas.
O menino então diz: - Todos devem atravessar de dois em dois.
Uma outra figura fica do lado de Listael. Ele tenta observá-la ao máximo, mas consegue ver poucos detalhes na roupa do ser que pareciam ser uma mulher.
Ele toca sua mão e pelo calor, sente que ela não se trata de um fantasma e sim de uma "projetada", assim como ele.
- Listael! 88118818! Repetiu várias vezes na esperança da mulher decorar seu nome e telefone, enquanto os dois caminham em direção ao alagado. Mais uma vez os cães mergulharam e logo em seguida o jovem sente uma mordida em meu pé direito, e de ser puxado violentamente para as profundezar negras e silenciosas do lago.
- Aquele não era comum. Ele era um acolito sombrio, você conhece um acolito sombrio? já viu um? Já viu alguém vivo viajar pelo espelho? Já tinha mandado algum deles para o lado de cá? Ela perguntava com uma mistura de curiosidade e alegria.
Nesse momento o garoto chama a atenção de todos na sala e começa a falar a linguagem celestial. Listael conhecia essa lingua porque sabia que não conseguiria guardar nem sequer uma palavra que ele diz em sua mente, apesar de fazer todo o sentido enquanto ele fala.
Por fim todos se levantam, dois homens borrados ficam em frente a uma pequena porta e uma enorme fila se forma do lado de fora. Todos passam pela porta para olhar algo e quando chega a vez do jovem os dois homens cruzaram duas lanças de luz dourada na sua frente e suas asas se abrem criando uma forte luz que o cegava.
- Você não pode passar daqui, já recebeu sua mensagem, agora vá! Disseram suavemente os anjos como que em uma canção.
Listael se vira e percebe que o salão está vazio. Do lado de fora o garotinho o chamava para junto dos outros. Todos caminham até um lugar descampado onde estão cães do tamanho de touros. Havia mais cabeças que corpos de cães, eles andam em círculos, cheirando e rosnado, como quem ronda um prato suculento antes de começar a comer.
Todos caminham até um local alagado com plantas finas e sem folhas saindo da água, um grande lago cobre o meio do alagado, tudo ali é escuro e sombrio. O garotinho atravessa para o outro lado. Um dos borrões vai também, imediatamente os cães entram nas águas atacando o vulto por baixo,devorando-o na agitação das águas.
O menino então diz: - Todos devem atravessar de dois em dois.
Uma outra figura fica do lado de Listael. Ele tenta observá-la ao máximo, mas consegue ver poucos detalhes na roupa do ser que pareciam ser uma mulher.
Ele toca sua mão e pelo calor, sente que ela não se trata de um fantasma e sim de uma "projetada", assim como ele.
- Listael! 88118818! Repetiu várias vezes na esperança da mulher decorar seu nome e telefone, enquanto os dois caminham em direção ao alagado. Mais uma vez os cães mergulharam e logo em seguida o jovem sente uma mordida em meu pé direito, e de ser puxado violentamente para as profundezar negras e silenciosas do lago.
O boteco
Listael nunca foi um sujeito normal, desde a infância ele foi um menino por vezes distraido de mais, por vezes reservado demais. Sua imaginação parecia confundir as linhas entre a verdade e a fantasia, o que lhe causou muitos embaraços no decorrer de sua vida. Hoje o jovem Listael é um belo, porem descuidado rapaz, com cabelos castanhos sempre despenteados e crescidos além do ponto, vestido com jeans, camisa verde escura e tênis, o jovem de carisma elevado, quase sempre passa despercebido por sua falta de jeito com as pessoas. Desistir da terapia o fez acreditar que seus sonhos eram na verdade avisos, preparando-o para algo que estava para acontecer. Algo que iria acontecer nesta noite, no boteco que ele sonhara noites atrás e que encontrará na vida real.
Quando Listael se dá conta, ele está em um bar na parte suja da cidade, ratos famintos correm pelas ruas esperando que o último freguês parta para que eles tomem seu lugar.
Ele está sentado no meio do pequeno estabelecimento, a sua esquerda está a porta de entrada do local e a direita um gordo senhor mastigando um palito de dente lança um olhar feio para o jovem, como quem julga em silêncio alguém que enxerga o errado, o sujo e o inconveniente, como a mancha de sujeira que estava no seu copo antes mesmo de enche-lo. Mas isso não seria um problema porque o jovem não pretendia beber nem um gole da cerveja a sua frente.
Uma sensação de constrangimento toma o ambiente quando eles se olham, Listael sorri sem graça, mas o homem não demonstra reação alguma.
É quando Listael repara uma voz na sua frente, um senhor já um tanto alterado pela bebida conta um de seus casos, talvez ele estivesse sentado ali desde o início da noite, babando e cuspindo doses de álcool no jovem.
Listael precisava tirar a prova de tudo que viu e sonhara, saber se era realmente real. Mais uma vez ele se pergunta o que estaria fazendo ali e subitamente a resposta surge em sua mente: "espere". A mão direita vagarosamente se move para sua cintura, segurando firme o cabo da faca "Tumi". Que ele encomendou conforme descrito nos antigos rituais de sacrifício, gastando o resto do salário que conseguiu em seu breve emprego de faxineiro.
Por alguns instantes ele pensa como seria matar alguém de verdade, como seria a sensação de cravar a faca na carne de outra pessoa, ve-la estribuchar até a morte. É claro que ele não era do tipo psicótico que sentia prazer nisso, ele só queria tirar a prova tudo que sonhou até hoje, descobrir se realmente era ou não louco.
Mais uma vez o jovem se pergunta se é a vez do dono gordo arrogante ou do simpático cuspidor, a resposta vem "é o que entrará agora". Listael se vira aos passos de um sapato chique que pisa no ressalto do boteco em direção do balcão. Um homem bem vestido caminha a passos curtos e andar pomposo, ao perceber que o jovem o encara ele faz um leve comprimento com a aba do chapéu e um sorriso intimidador do tipo não mexa comigo filho.
Na frente do balconista ele para e pede uma bebida enquanto acende um cigarro fedorento. Parece alguém que teve um dia cheio e que agora deseja aproveitar um pouco sua madrugada. Listael sabe que deve agir, em segundos ele repassa na mente onde enfiar a faca para matar sem muita dor e no momento em que ninguém parecia atento ele levanta já retirando a faca que brilha na luz pendurada por um fio no teto, mas ele se esqueceu novamente do bêbado, que ao ver a faca, diz alguma baboseira e atrai a atenção do homem.
No momento em que ele vê a faca lança um olhar de espanto, não por ver a lâmina, mas as runas talhadas no metal negro. Ele larga o cigarro e salta o balcão, corre em direção de um pequeno corredor e chega a um apertado banheiro. O jovem pensa que sua presa está encurralada, mas o estranho senhor pega impulso e se joga em direção ao espelho como quem salta uma janela, dentro de sua cabeça Listael ouve um grito "pegue-o" e ele salta por impulso atrás da vítima. Para surpresa do jovem, metade do corpo do homem já cruzou o espelho quando a faca corta sua carne, o sangue escuro voa na parede e molha o vaso, mas o homem termina de atravessar o espelho antes que o jovem consiga agarra-lo.
Perplexo, Listael examina o espelho com as mãos, percebendo que não passa de um espelho comum. Por um instante ele pensa se tudo isso foi real, se realmente existia o homem que perceguiu, mas as marcas de sangue provavam isso.
Ainda ofegante ele guarda a "Tumi", quando percebe que o dono do bar está na porta do banheiro imóvel, tentando entender o que se passa.
O jovem então ageita sua camisa, depois disso ele sai em direção a rua.
O sol já brilha na pequena rua e as pessoas saem de suas casas em direção ao ponto de ônibus.
Sua cabeça doi de fome e sono, cançado ele se senta no ponto. Uma garotinha olha para ele, que sem paciência desvia o olhar, como quem diz não quero papo.
Em sua cabeça ele pensava em tudo que acabou de acontecer e que aquele homem não poderia ser apenas um homem.
Quando Listael se dá conta, ele está em um bar na parte suja da cidade, ratos famintos correm pelas ruas esperando que o último freguês parta para que eles tomem seu lugar.
Ele está sentado no meio do pequeno estabelecimento, a sua esquerda está a porta de entrada do local e a direita um gordo senhor mastigando um palito de dente lança um olhar feio para o jovem, como quem julga em silêncio alguém que enxerga o errado, o sujo e o inconveniente, como a mancha de sujeira que estava no seu copo antes mesmo de enche-lo. Mas isso não seria um problema porque o jovem não pretendia beber nem um gole da cerveja a sua frente.
Uma sensação de constrangimento toma o ambiente quando eles se olham, Listael sorri sem graça, mas o homem não demonstra reação alguma.
É quando Listael repara uma voz na sua frente, um senhor já um tanto alterado pela bebida conta um de seus casos, talvez ele estivesse sentado ali desde o início da noite, babando e cuspindo doses de álcool no jovem.
Listael precisava tirar a prova de tudo que viu e sonhara, saber se era realmente real. Mais uma vez ele se pergunta o que estaria fazendo ali e subitamente a resposta surge em sua mente: "espere". A mão direita vagarosamente se move para sua cintura, segurando firme o cabo da faca "Tumi". Que ele encomendou conforme descrito nos antigos rituais de sacrifício, gastando o resto do salário que conseguiu em seu breve emprego de faxineiro.
Por alguns instantes ele pensa como seria matar alguém de verdade, como seria a sensação de cravar a faca na carne de outra pessoa, ve-la estribuchar até a morte. É claro que ele não era do tipo psicótico que sentia prazer nisso, ele só queria tirar a prova tudo que sonhou até hoje, descobrir se realmente era ou não louco.
Mais uma vez o jovem se pergunta se é a vez do dono gordo arrogante ou do simpático cuspidor, a resposta vem "é o que entrará agora". Listael se vira aos passos de um sapato chique que pisa no ressalto do boteco em direção do balcão. Um homem bem vestido caminha a passos curtos e andar pomposo, ao perceber que o jovem o encara ele faz um leve comprimento com a aba do chapéu e um sorriso intimidador do tipo não mexa comigo filho.
Na frente do balconista ele para e pede uma bebida enquanto acende um cigarro fedorento. Parece alguém que teve um dia cheio e que agora deseja aproveitar um pouco sua madrugada. Listael sabe que deve agir, em segundos ele repassa na mente onde enfiar a faca para matar sem muita dor e no momento em que ninguém parecia atento ele levanta já retirando a faca que brilha na luz pendurada por um fio no teto, mas ele se esqueceu novamente do bêbado, que ao ver a faca, diz alguma baboseira e atrai a atenção do homem.
No momento em que ele vê a faca lança um olhar de espanto, não por ver a lâmina, mas as runas talhadas no metal negro. Ele larga o cigarro e salta o balcão, corre em direção de um pequeno corredor e chega a um apertado banheiro. O jovem pensa que sua presa está encurralada, mas o estranho senhor pega impulso e se joga em direção ao espelho como quem salta uma janela, dentro de sua cabeça Listael ouve um grito "pegue-o" e ele salta por impulso atrás da vítima. Para surpresa do jovem, metade do corpo do homem já cruzou o espelho quando a faca corta sua carne, o sangue escuro voa na parede e molha o vaso, mas o homem termina de atravessar o espelho antes que o jovem consiga agarra-lo.
Perplexo, Listael examina o espelho com as mãos, percebendo que não passa de um espelho comum. Por um instante ele pensa se tudo isso foi real, se realmente existia o homem que perceguiu, mas as marcas de sangue provavam isso.
Ainda ofegante ele guarda a "Tumi", quando percebe que o dono do bar está na porta do banheiro imóvel, tentando entender o que se passa.
O jovem então ageita sua camisa, depois disso ele sai em direção a rua.
O sol já brilha na pequena rua e as pessoas saem de suas casas em direção ao ponto de ônibus.
Sua cabeça doi de fome e sono, cançado ele se senta no ponto. Uma garotinha olha para ele, que sem paciência desvia o olhar, como quem diz não quero papo.
Em sua cabeça ele pensava em tudo que acabou de acontecer e que aquele homem não poderia ser apenas um homem.
Assinar:
Comentários (Atom)