terça-feira, 6 de abril de 2010

O alagado

Listael desce de um carro deformado que mais parece uma pilha de ferro amarelo, assim que sai, este se torna um borrão sem forma como toda a paisagem atrás dele. Outras pessoas saem do veículo, talvez projeções de vivos ou espíritos errantes. A frente um menino totalmente vestido de laranja os aguarda, sua roupa parece ser um macacão infantil sem muitos detalhes. Atrás dele um selerio rústico de madeira, onde todos entram. Muitas cadeiras dentro do local, Listael se senta e rapidamente uma senhora senta ao seu lado. Enquanto ela lança um sorriso, ele tenta observá-la, mas ela não passa de outro borrão deformado, apensa sua boca se mantém em foco o tempo todo.
- Aquele não era comum. Ele era um acolito sombrio, você conhece um acolito sombrio? já viu um? Já viu alguém vivo viajar pelo espelho? Já tinha mandado algum deles para o lado de cá? Ela perguntava com uma mistura de curiosidade e alegria.
Nesse momento o garoto chama a atenção de todos na sala e começa a falar a linguagem celestial. Listael conhecia essa lingua porque sabia que não conseguiria guardar nem sequer uma palavra que ele diz em sua mente, apesar de fazer todo o sentido enquanto ele fala.
Por fim todos se levantam, dois homens borrados ficam em frente a uma pequena porta e uma enorme fila se forma do lado de fora. Todos passam pela porta para olhar algo e quando chega a vez do jovem os dois homens cruzaram duas lanças de luz dourada na sua frente e suas asas se abrem criando uma forte luz que o cegava.
- Você não pode passar daqui, já recebeu sua mensagem, agora vá! Disseram suavemente os anjos como que em uma canção.
Listael se vira e percebe que o salão está vazio. Do lado de fora o garotinho o chamava para junto dos outros. Todos caminham até um lugar descampado onde estão cães do tamanho de touros. Havia mais cabeças que corpos de cães, eles andam em círculos, cheirando e rosnado, como quem ronda um prato suculento antes de começar a comer.
Todos caminham até um local alagado com plantas finas e sem folhas saindo da água, um grande lago cobre o meio do alagado, tudo ali é escuro e sombrio. O garotinho atravessa para o outro lado. Um dos borrões vai também, imediatamente os cães entram nas águas atacando o vulto por baixo,devorando-o na agitação das águas.
O menino então diz: - Todos devem atravessar de dois em dois.
Uma outra figura fica do lado de Listael. Ele tenta observá-la ao máximo, mas consegue ver poucos detalhes na roupa do ser que pareciam ser uma mulher.
Ele toca sua mão e pelo calor, sente que ela não se trata de um fantasma e sim de uma "projetada", assim como ele.
- Listael! 88118818! Repetiu várias vezes na esperança da mulher decorar seu nome e telefone, enquanto os dois caminham em direção ao alagado. Mais uma vez os cães mergulharam e logo em seguida o jovem sente uma mordida em meu pé direito, e de ser puxado violentamente para as profundezar negras e silenciosas do lago.

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